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- O que leva uma pessoa a sofrer um infarto do miocárdio?
O coração funciona como uma bomba que faz o sangue circular por todo o nosso corpo, levando oxigênio e glicose a todos os tecidos, para que mantenham suas atividades de forma adequada. Da mesma forma, o coração necessita de uma rede de vasos – artérias e veias – que irão alimentá-lo, de forma a manter sua função primordial, ou seja, manter a irrigação eficaz e adequada de todo o organismo. Assim, no infarto do miocárdio, ocorre uma obstrução da coronária, artéria que leva sangue oxigenado ao músculo cardíaco. Esta obstrução bloqueia a oferta do oxigênio e glicose às células daquela região do coração, levando à sua morte e conseqüente perda da função de contração da região acometida. Os fatores que levam à obstrução das coronárias são vários. A obstrução propriamente dita é decorrente do depósito de gorduras na parede das coronárias. Além disto, a pressão arterial elevada colabora para a obstrução, pois favorece o estreitamento das artérias, reduzindo a luz dos vasos, por onde o sangue circula. O hábito do tabagismo, o estresse, o sedentarismo, a obesidade são condições que favorecem a obstrução, aumentado o risco da ocorrência do infarto. Há ainda a predisposição familiar para a ocorrência do infarto. Assim, famílias onde a ocorrência de infarto do miocárdio é muito presente, principalmente em homens antes do 55 anos e em mulheres antes dos 65 anos, tem mais possibilidade de desenvolver um infarto.
- O brasileiro é preocupado com a saúde? O que é preciso para que uma pessoa evite problemas do coração?
Sim. Atualmente, com a maior divulgação por parte dos meios de comunicação das condições associadas a um maior risco de doenças cardiovasculares, nota-se uma maior preocupação com a adoção de hábitos de vida saudáveis. Podemos observar em nossas praças e academias, o grande número de pessoas que realizam atividades físicas regulares. A adoção de uma alimentação balanceada e o questionamento quanto à presença de gorduras nocivas à nossa saúde já é uma postura adotada em grande parcela da população. Campanhas para abandono do tabagismo, com legislação municipal, estadual e federal que impedem o uso do tabaco em ambientes fechados e repartições, têm colaborado para a redução no número de fumantes. Reduzir o estresse traz benefícios substanciais e reduz o gatilho para o desencadeamento de um infarto, como evidenciou o estudo INTERHEART realizado em uma vasta população mundial. Evitar o abuso de sal e evitar as bebidas alcoólicas trazem reais benefícios na saúde cardiovascular. Portanto, adotar hábitos saudáveis de vida permite reduzir de forma substancial a ocorrência das doenças cardíacas.
- Qual é a incidência de mortes decorrentes de distúrbios cardíacos?
Hoje, as doenças cardíacas são as primeiras causas de mortes no mundo, chegando a ser responsável por pouco mais de 30% de todas as mortes de acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). Proporção semelhante é encontrada no Brasil (31,5%) e em Minas Gerais (33,4%), de acordo com os dados de DATASUS. O pior é que dados da OMS estimam que, em 2025, as doenças cardíacas continuem a ser as primeiras causas de morte.
- É verdade que os problemas cardiovasculares são mais freqüentes em pessoas, especialmente homem, de 40 a 50 anos? Por que?
Dados epidemiológicos têm mostrado que as doenças cardiovasculares têm acometido os pacientas já nesta faixa etária dos 40 aos 50 anos. Os homens são mais vulneráveis, pois, diferentemente das mulheres, não tem a proteção natural dada pelo estrógeno. Mais do que isso, a prevalência das doenças cardiovasculares vem crescendo e acometendo as pessoas em idades mais jovens. O que colabora para isto são os maus hábitos de vida e a crescente epidemia de obesidade que acomete o Brasil e o mundo favorecendo o surgimento de diabetes e alterações das gorduras no sangue – colesterol e triglicérides. Assim, maus hábitos somados ao ganho de peso e aumento do risco de diabetes favorecem o surgimento das doenças cardiovasculares em idades cada vez mais baixas.
- Qual é a influência do estresse na incidência de problemas cardíacos?
O estresse é um importante gatilho no desencadeamento do infarto do miocárdio, como demonstrou o estudo INTERHEART. Pior, o estresse mantém nosso corpo em constante estado de alerta, com grande ativação de nossas atividades metabólicas, o que favorece a elevação da adrenalina e de outras substâncias, como os radicais livres, que vem a desgastar nosso organismo e favorecer o surgimento das doenças cardiovasculares. Seu controle, com a adoção de atividades físicas regulares, meditação e processo que permitam desligar este gatilho, favorece reverter esta situação.
- O que prevê a Lei Municipal 9.317, de 18 de janeiro de 2007, obrigando estabelecimentos com circulação e concentração de mais de 1 mil pessoas por dia, em Belo Horizonte, a manter disponível um desfibrilador automático externo?
A lei visa uma oferta de atendimento emergencial à parada cardíaca. Sabemos que a cada minuto de parada cardíaca, reduzimos em 10% a chance de uma recuperação deste paciente. Assim, criar condições que permitam abreviar este tempo de intervenção significa maior chance real de recuperação e manutenção da vida. Mas é fundamental que não só esteja disponível o desfibrilador automático externo. Uma equipe treinada se faz necessária para o êxito desta ação. Pelo menos 30% das pessoas destes locais – funcionários, colaboradores – devem estar treinadas para realizar um atendimento eficaz e que possa modificar este sombrio quadro da uma parada cardíaca.
- Como podemos encarar esta maior presença atual e futura das doenças cardiovasculares no cotidiano de nossa vida?
A vida é nosso bem mais precioso e como tal, devemos investir com todos os meios que dispomos na melhoria de nossa qualidade de vida. Portanto, a adoção de bons hábitos como atividade física regular, abandono do tabagismo, alimentação balanceada e pobre em gorduras saturadas e colesterol, uso restrito de sal e bebidas alcoólicas, busca do peso ideal com redução da ingestão de doces e açúcar e redução de condições estressantes, terão importante e marcante impacto na nossa vivência, resgatando o bem estar pleno. Quando apenas estes bons hábitos não bastarem, o uso orientado e parcimonioso de todo o arsenal terapêutico que hoje dispomos, terá fundamental papel no resgate de nossa saúde e melhoria da condição de vida. Portanto, vamos investir nestes novos hábitos e tecer um fio cada vez mais grosso para sustentar nossa existência.
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